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domingo, 10 de junho de 2012

O simples de ser só

Fotografia de Rui Pinto



O simples de ser só prende-se com a eficiência dos actos únicos, a incontornável medida própria, a decisão por conta pessoal. Estes são veículos de conformação da alma porque, se não existem questões, também não serão necessárias respostas.

O simples de ser só é, ser só. E, admitindo todas as perdas do mundo, é irrefutável a tranquilidade de ser "único" num contexto, a liberdade do "descompromisso" numa associação permanente da experiência.

O simples de ser só é isto, o prazer da apatia na espera. 

Finalmente, o simples de ser só, é que, como em tudo na vida, só se é para se deixar de ser.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Impressões de uma viagem a Atenas I

Da incapacidade real da vontade de "tudo ver" numa viagem, surge um caloroso conforto ao saborear o prazer de algo que nos toca. Como na vida, uma viagem é feita de incontornáveis dissabores, de medos e desilusões, mas, é com o calor, o mesmo deste chocolate que agora tomo, com que "x" obra me toca que percebo a beleza das coisas que nos envolvem. Interessa a imperfeição, os planos falhados, as oportunidades perdidas porque, é na incontornável desilusão que germina o maior dos prazeres humanos, o poder do espanto, o encanto do inesperado.
Porque nunca se repetirá este momento, porque nunca a Mafalda sorrirá igualmente debaixo desta mesma luz, nem a Inês, nem a Filipa e, nunca mais o Fred e o Diogo dormiram aconchegados em tranquilidade como o fizeram nesta cafetaria em Atenas.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sem titulo creio eu...

Sucedem se as semanas em Madrid, e os dias passam neste pequeno ciclo cheio de nadas bem e mal passados. Agora com o aproximar (ou não) do final de mais este período penso e repenso tantas outras coisas que podia ter feito e, no final fico ainda assim contente por estar aqui, por o saldo ser positivo.
Antes da semana santa fui com o “taller” de projectos numa maravilhosa viagem pela Sicília, o roteiro era baseado no que Asplund havia seguido, fácil de perceber a opção visto ser a cátedra do professor Lopéz-Pelaéz.
Foi uma viagem fantástica, não em si por qualquer momento em especial, em realidade não houve um momento especial provavelmente, talvez a grande qualidade tenha sido essa mesmo, foi um apenas somar de pequenas coisas, nunca houve (como em outras viagens também elas excelentes) uma obra de referência, uma cidade apaixonante, tudo foram pequenos acontecimentos, deliciosos efémeros minutos de pura degustação sensorial ( se bem que todos os almoços e jantares duraram mais que vários minutos).
Assim, deparei-me uma vez mais com o prazer das pequenas coisas, dos pequenos gestos, das pequenas obras e, dos pequenos reencontros…
Foi a primeira vez que fiz uma viagem sem máquina fotográfica, não que tenha sido planeado, foi apenas um fortuito acaso da minha tremenda incapacidade para tudo que tem que ver com planear, antecipar ou ordenar, mas na verdade não há qualquer tipo de magoa ou tristeza por não trazer fotos, mais que gravado por um pulsar anatómico de um botão seguido de um flash, as imagens ficaram gravadas na minha memória de forma eficaz por um processo simples de percepção, contemplação e deslumbramento, assim, parece me cada vez mais que se torna mais fácil desfrutar do que nos envolve quando a relação entre olho e objecto está “desprovida” de qualquer tipo de filtro.